04 out, 2016

Pediatra explica como pais devem reagir às birras dos filhos

De acordo com o médico do Comitê de Desenvolvimento e Comportamento da Sociedade de Pediatria do RS, Renato Santos Coelho, o temperamento da criança e a relação familiar influenciam na evolução dos casos

Choro prolongado, gritos e jogar-se no chão são algumas das atitudes mais comuns em crianças que agem de forma birrenta. Este comportamento pode ocorrer já no primeiro ano de idade, quando a criança começa a não tolerar que as coisas não saiam como ela espera. A explicação é do pediatra do Comitê de Desenvolvimento e Comportamento da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS), Renato Santos Coelho.

– Estas atitudes ocorrem, usualmente, até os 3 e 4 anos, quando ela entende que as coisas não ocorrem como ela gostaria ou não é atendida. Então, a criança percebe que ao usar o recurso do choro ou dos gritos, é atendida de imediato ou em mais uma ou duas tentativas, e então passa a agir desta forma – expõe Coelho.

Além das características citadas acima, também é comum que a criança jogue objetos no chão ou quebre-os, bata portas e tente agredir os pais. Pessoas que cuidam ou geralmente passam algum tempo com a criança também são observados por ela, para saber de que forma agir e utilizar as regras aprendidas.

De uma maneira geral, todas as crianças passam por esta fase, porém, a maioria não evolui por este caminho, pois os pais corrigem suas atitudes com o tempo. Em alguns casos, o temperamento da criança também influencia na evolução e, claro, a forma como os pais lidam com os filhos também é levada em conta.

– Outro fator é a questão cultural, onde percebo uma dificuldade bastante prevalente dos pais em assumirem suas posições de autoridade em casa – acrescenta Coelho.

Em situações críticas, quando a criança age em público de forma birrenta, a orientação do pediatra é que os pais não gritem com ela, nem batam ou tentem convencê-la ou prometer presentes. Também, não se deve ceder, punir e perder o controle. Se a atitude for leve, deve deixá-la sozinha até se acalmar e retornar ao que estava fazendo. Quando a situação for mais severa, os pais devem retirar a criança e levá-la a um lugar mais seguro e calmo. Sem repetir frases como “pare de chorar” ou “se acalme”, a orientação é ficar em silêncio até ela se tranquilizar.

Os pais também devem estabelecer regras claras, com uma lógica que esteja de acordo com a idade da criança. Deve-se limitar as coisas importantes para não tornar o dia cheio de regras ou reprimir em demasia. É importante fazer com que as regras sejam sempre cumpridas, pois a criança logo percebe que nem sempre isto ocorre de fato.

– Ajude a criança a descobrir soluções, lhe dando alternativas, apoiando a sua decisão e fazendo um reforço positivo quando ela conseguir. Quando tiver que dizer um não, sustente e não demonstre hesitação ou culpa por ser a figura de autoridade. Educar não é ser bonzinho sempre, pois desta forma não estaremos ajudando – aconselha Coelho.

O pediatra ainda sugere que os pais procurem um meio termo entre delicadeza e firmeza.

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