14 nov, 2017

Hora de dormir sozinho

Apesar de haver algumas orientações não há um consenso sobre o momento certo para o bebê dormir sozinho no quarto

O tema é um dos mais polêmicos quando trata-se da criação do bebê. Enquanto alguns pais, optam já pela individualidade do bebê nas primeiras semanas de vida indo dormir no quarto sozinho, outros são mais conservadores e os mantém sob o olhar no quarto do casal por mais tempo.

O pediatra e membro da diretoria da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS), Benjamin Roitman, alerta para alguns conceitos importantes e consolidados, como jamais deixar o bebê dormir na mesma cama dos pais, para evitar o risco de sufocação.

– A questão de dormir com os pais ou não é motivo de várias discussões. Não há um consenso absoluto. Mas é usual os pediatras recomendarem que nos primeiros dias (até três meses) a criança possa dormir no mesmo quarto dos pais, em seu carrinho ou moisés. Porém, não deve dormir, jamais, na cama dos pais, pois o risco de sufocação e morte é considerável. Após os três meses, os pais são estimulados a colocarem a criança em seu próprio berço em um quarto próprio, separado dos pais – comenta.

O vice-presidente da SPRS, Marcelo Porto, lembra que a Academia Americana de Pediatria recomenda que os bebês durmam com os pais até um ano de idade, como forma de prevenção à Síndrome da Morte Súbita do Lactente, além de outras recomendações para prevenção.

– Mas é claro que cada família deve achar a melhor forma de encaminhar esta questão. Mas a recomendação da AAP é um balizador importante – afirma Porto.

Outros cuidados práticos são indispensáveis. O berço deve ter o mínimo de objetos (para evitar acidentes): evitar protetores de berço, fios ou panos que o bebê possa se enrolar inadvertidamente. Não usar travesseiros ou usar os “antissufocação” que tem furos e são finos. Um lenço ou cobertor se estiver frio e nada mais.

Quando a criança acorda à noite estimula-se que os pais mantenham a criança em seu próprio berço, não trazendo para a sua cama, mantendo a ideia de que aquele ( o berço e o quarto) é o lugar dela (da criança) e o quarto dos pais é dos pais.

– Sabemos que o acordar noturno acompanhado de choro é problema frequente e os pais muitas vezes desistem de tentar acalmar a criança em seu próprio berço, trazendo-o para a sua cama como forma de resolver o problema imediatamente. E o que diz a ciência sobre isso? O “co-leito” ou seja, o compartilhamento do leito entre os pais e a criança não provou trazer distúrbios psicológicos ou desvantagens a longo prazo. Talvez a natureza “queira” isso. Vejam os índios no Amazonas: as crianças dormem com suas mães em redes e passam mamando o seio todo o tempo. Afinal estão junto a ele e pegam quando querem. Mas as correntes psicológicas atuais (e os pediatras) recomendam a separação da criança de seus pais, assim que possível. a partir dos 3 meses, por exemplo. Para estimular sua individualização e, por outro lado, preservar a intimidade dos pais – completa Benjamin.

Outro fator importante para o desenvolvimento da criança é que os pais deixem bem claro que a criança tem o seu quarto, respeitando sua individualidade e que a mãe dorme com o pai, e não com a criança.

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