09 fev, 2018

Prevenção ao mosquito transmissor de doenças deve iniciar pela própria população

Além do quadro clínico semelhante, febre amarela,dengue, zika e chikungunya também são transmitidas por insetos infectados

A ocorrência de doenças como dengue, zika, chikungunya e febre amarela tem se intensificado nos últimos anos, principalmente no verão. Porém, é esta última que mais está deixando a população em alerta. Além de apresentar sintomas semelhantes, as patologias também têm em comum a transmissão por mosquitos infectados. Desta forma, reforçar as medidas de prevenção à proliferação dos insetos e manter hábitos de precaução é a melhor maneira de evitar o contágio.

– Os cidadãos possuem papel fundamental na eliminação dos focos do mosquito, geralmente encontrados em recipientes com água parada. Acreditamos que esta iniciativa não deve partir somente do poder público. Além disso, o uso de repelente e a vacinação também são formas de evitar as doenças – sugere o presidente da Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS), Alfredo Floro Cantalice Neto.

No início de 2018, o retorno de casos de febre amarela chamou a atenção tanto da população quanto da comunidade médica. No entanto, o que se percebe é a reemergência da forma silvestre da doença, visto que a urbana foi erradicada no Brasil em 1942, de acordo com a infectologista Paula Facco Librelotto.

– A febre amarela silvestre é uma doença endêmica na Amazônia e nas últimas décadas tem se dispersado por outras regiões brasileiras. Neste caso, os mosquitos envolvidos são do gênero Haemagogus e Sabethes. É importante ressaltar que toda a expansão da circulação viral é associada a esse ciclo silvestre e que as pessoas acometidas adentraram a mata para trabalho ou turismo e foram picadas por um mosquito infectado – explica Paula.

A preocupação dos especialistas, portanto, é com a aproximação do vírus em regiões não vacinadas, superpovoadas e infestadas pelo Aedes aegypti.

Quadro clínico comum e particularidades

De uma forma geral, os sintomas relacionados a estas quatro doenças são semelhantes: dor de cabeça, febre de início súbito e dores no corpo. Porém, é claro que existem particularidades, por isso a importância de procurar atendimento médico para a devida orientação.

– A dengue pode causar febre mais alta e manchas vermelhas pelo corpo. Há ainda a de tipo hemorrágica, cujo sangramento pode ser letal. O zika vírus pode se manifestar de forma mais branda, também com manchas na pele em mais de 90% dos casos acompanhadas por conjuntivite. Já a chikungunya pode apresentar dor articular que pode se tornar crônica e a febre amarela tem, justamente, uma coloração amarela dos tecidos e secreções orgânicas, insuficiência renal, hemorragias e pode levar à morte – complementa Paula Facco Librelotto.

Estatísticas

A infectologista comenta que, conforme o último boletim epidemiológico repassado pela Secretaria Estadual de Saúde, não foram confirmados casos de febre amarela, dengue, chikungunya e zika vírus no Rio Grande do Sul. Também não há registros da doença entre os macacos, que são um indício da presença do vírus Silvestre.

Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, 2015 foi o ano mais endêmico da dengue no Brasil, concentrando a maioria dos 2,3 mil casos de óbitos registrados entre 2013 e o primeiro semestre de 2016. Já a chikungunya somou, entre 2013 e 2016, cerca de 2 milhões de notificações em mais de 40 países das Américas e Caribe. No Brasil, a concentração inicial foi no Nordeste, porém, em 2016, observou-se uma expansão em todo o território nacional.O zika vírus teve sua circulação no Brasil confirmada em 2015. Entre este ano e o seguinte, foram registrados seis óbitos ao total.

Com relação à febre amarela, entre 1° de julho de 2017 e 30 de janeiro de 2018, foram registrado 213 casos, destes, 81 chegaram a óbito. No mesmo período de 2016, o número de casos confirmados foi de 468 e 147 óbitos.

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