09 nov, 2018

“Não vou compactuar que tomem irregularmente a área do Asilo Padre Cacique”

Em entrevista coletiva, presidente do Asilo Padre Cacique desabafa exigindo que a Lei seja cumprida

O presidente do Asilo Padre Cacique, Edson Brozoza, manifestou revolta e indignação com o processo envolvendo a reintegração de posse em um terreno localizado nos fundos da Instituição. A desapropriação foi suspensa na tarde desta quinta-feira (08/11) depois que movimentos sociais alegaram que o processo exigiria a realização de uma audiência pública.

– Hoje o que estão fazendo é invadir o terreno do Asilo Padre Cacique. Se o poder público não quer ajudar como não tem ajudado, que não atrapalhe. Deixe que a comunidade faça a sua parte e mantenha a casa e resolva os problemas e pelo menos cumpra-se a Lei. Estamos falando de uma reintegração de posse discutida há dez anos que passou por vara cível e que foi confirmada pelo Superior Tribunal de Justiça. Todo esse período nunca mencionaram a palavra Quilombola. Agora na hora de cumprir, aparecem meia dúzia de oportunistas querendo criar fatos novos – discursou.

Durante a sua fala, o presidente também reforçou que não podem ser propagadas informações falsas de que o espaço seria de Quilombolas, uma vez que não são reconhecidos como tal.

– Essas instituições de proteção ao negro e ao pobre jamais pisaram aqui dentro do Asilo para trazer um litro de leite para um dos idosos negros que temos aqui dentro. Agora vieram dar apoio para uma família que de Quilombola não tem nada. Não podemos confundir Quilombo com invasão afrodescendente. Esta terra foi doada pelo Dom Pedro II para construir uma entidade que defendesse órfãos. Tudo está relatado e documentado. Há mentiras e mentiras que vão sendo propagadas e que precisam ser desmentidas. Isso aqui não é e, jamais, foi um Quilombo – disse.

Como o número de pessoas presentes no local se elevou, o Oficial de Justiça entendeu que o melhor seria postergar a ação por medida de segurança.

Entenda o caso:

O Asilo Padre Cacique tentou por mais de dez anos de forma pacífica um acordo para a desocupação do imóvel que se destinava a residência de um ex-funcionário zelador. Após o falecimento do, então funcionário, familiares do mesmo se apossaram ilegalmente do imóvel, fato que motivou a propositura de uma ação judicial de reintegração por parte da Instituição. Ação esta que tramitou desde o ano de 2009, com os mais diversos recursos protelatórios, inclusive perante o Superior Tribunal de Justiça.

– Infelizmente esse mandado não foi cumprido. Há um projeto pronto para construção de um centro de convivência que será uma creche para idosos carentes com estimativa de atender mais 150 idosos. Porém, faz dez anos que tentamos tudo que é tipo de acordo e não conseguimos tirar essa gente daí – afirmou Brozoza.

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