28 jan, 2019

Trabalhadores da GM rejeitam mudanças e anunciam protesto em frente à fábrica em Gravataí

Medidas retiram direitos dos trabalhadores que organizam manifestação em frente ao portão da fábrica, em Gravataí, às 5h30min de terça-feira (29/01)

Os trabalhadores metalúrgicos receberam com preocupação a lista de medidas anunciadas pela General Motors, em Gravataí. Entre os 21 pontos que são discutidos, uma boa parte mexe nos direitos adquiridos pelos funcionários e implicarão em perdas salariais e de benefícios. Entre as alterações estão previstas mudanças como implantação de trabalho intermitente, redução de ganhos em plano de participação de resultados, terceirização de atividades e parcelamento de férias, entre outros.

A montadora quer avançar no período de 10 dias com os ajustes e sinaliza que se não forem feitas as mudanças serão revistos investimentos anunciados na planta gaúcha. Durante a manhã desta segunda-feira (28/01), a direção do Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí (Sinmgra) participou de uma reunião por videoconferência com integrantes da alta cúpula da empresa no Brasil e América Latina, e saiu decepcionada do encontro.

– Eles foram muito claros dizendo que se em dez dias não obtiverem o que querem, cortarão investimentos. Porém, os trabalhadores não podem pagar a conta porque eles querem lucrar mais. O trabalho intermitente, por exemplo, não vamos admitir porque, logo, muitos receberão um salário-mínimo. Se já está difícil, hoje, imagina com essa ideia. Outro item é que temos 40 horas semanais que conquistamos com muito esforço e não abriremos mão – afirmou o diretor administrativo do Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí (Sinmgra), Valcir Ascari.

Entre as preocupações está a situação econômica do município que tem na operação do complexo automotivo uma importante fonte de renda.

– Não é só a indústria que perde. Quando a indústria para, os outros setores estão na UTI. Só haverá consumo na cidade se os trabalhadores da indústria estiverem bem. Essa é uma pauta de toda a sociedade. Não adianta os patrões tentarem reduzir custos a qualquer preço – completou Ascari.

A pauta é válida tanto para plantas no Brasil, como na América Latina e afeta revendedores, governos, fornecedores e trabalhadores, trazendo também preocupação para o líder do executivo municipal de Gravataí, o prefeito Marco Alba.

– Nos preocupa porque a régua que estabelece os procedimentos a serem seguidos pelas empresas é o mercado. A curto prazo acreditamos que não há um impacto significativo, mas a médio e longo prazo produzirá, sim efeitos. Vamos acompanhar e iremos até São Paulo, junto com a direção da General Motors, para ter mais claro, a participação do poder público municipal – disse.

A montadora do Rio Grande do Sul abriga a produção do modelo Onix, atualmente o mais vendido do país. Foram 389,5 mil veículos comercializados em 2018, o que representa aproximadamente 15% da fatia de mercado. A montadora é líder nacional em vendas há pelo menos três anos. A presença da GM, em Gravataí, significa a geração de mais de seis mil empregos diretos e indiretos. Para o município representa, em retorno de ICMS, algo próximo de R$ 70 milhões.

Na última semana, a montadora havia ameaçado deixar o Brasil e América do Sul, caso os resultados financeiros não fossem melhorados. Nos últimos dias a General Motors fez reuniões com sindicalistas nas unidades de São José dos Campos e de São Caetano do Sul, em São Paulo. Foram propostas medidas como aumento da jornada de trabalho e terceirização de tarefas das unidades.

O protesto será realizado a partir das 5h30min no portão de acesso à fábrica pela RS 030.

Itens que estão em pauta

1. Formalização de Acordo Coletivo de longo prazo (2 anos) renováveis por mais dois anos.

2. Negociação de valor fixo e substituição de aumento salarial para empregados horista e congelamento ou redução da meritocracia para mensalistas.

3. Negociação de Participação nos Resultados com revisão de regras de aplicação, prevalência da proporcionalidade, transição para aplicação de equivalência salarial e inclusão de produtividade.

4. Participação dos Resultados por três anos sendo zero no 1o ano, 50% no 2o ano e 100% no 3o ano. 5. Suspensão das contribuições da GMB por 12 meses de Previdência

6. Alteração do Plano Médico

7. Implementação de Trabalho Intermitente por Acordo Coletivo e Individual

8. Terceirização de Atividades Meio e Fim

9. Jornada de Trabalho pde 44 horas semanais para novas contratações

10. Piso Salarial de R$ 1.300,00

11. Redução do período de complementação auxílio previdenciário para 60 dias para um evento no ano.

12. Renovação de Acordos de Flexibilidade

13. Rescisão no Curso de Afastamento d para empregos com tempo para aposentadoria (nova)

14. Desconsideração de Horas Extraordinárias (novas)

15. Trabalho em Regime de Tempo Parcial

16. Jornada Especial de Trabalho (12/36 horas)

17. Ajuste na Cláusula de Férias com parcelamento previsto em Lei

18. Regramento do Contrato de Trabalho Intermitente

19. Implicabilidade de Isonomia Salarial acima dos 48 meses ara grade nova

20. Cláusula regrando a adoção do Termo de Quitação Anual de Obrigações Trabalhistas

21. Congelamento de Política de Progressão Salarial horista por 12 meses

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