29 jan, 2019

Trabalhadores da General Motors protestam em frente a fábrica em Gravataí

Metalúrgicos fizeram assembleia e rejeitaram por unanimidade as medidas que estão sendo propostas pela montadora que retiram direitos dos trabalhadores

Uma mistura de preocupação e indignação marcou o protesto realizado pelos trabalhadores metalúrgicos no acesso ao complexo automotivo no início da manhã desta terça-feira (29/01). Aproximadamente mil pessoas ficaram concentradas no local na troca de turno. A manifestação iniciou às 5h30min e seguiu até por volta das 7h. A categoria reclama das 21 medidas que foram anunciadas recentemente pela empresa que alega prejuízos financeiros com a operação no Brasil.

– É uma “peleia” que nao é só nossa, é de todo o país. Para chegarmos às 40 horas semanais trabalhamos muito duro e agora querem nos tirar. Estamos fazendo uma assembleia justa e que garante a dignidade dos trabalhadores. É muito importante que façam essa análise – discursou o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí, Valcir Ascari.

Entre as mudanças que estão previstas está a implantação de trabalho intermitente, considerada pelos sindicalistas um grave risco.

– Daqui a pouco, teremos gente ganhando menos do que um salário-mínimo e sem qualquer garantia de que terá algum dinheiro no fim do mês para pagar suas contas, para comprar material escolar para o filho e para comprar um remédio. Não vamos admitir que o funcionário viva de “biscate” e trabalhando quando der – completou Ascari.

Outros itens em debate são a terceirização de atividade meio e fim, parcelamento de férias e a redução para zero da participação nos lucros da empresa.

– Vamos manter os nossos direitos. A GM está dizendo que está em crise e que não fez o dinheiro suficiente para ter lucro, mas isto não interessa. Vamos brigar pelo que conquistamos porque o patrão sempre quer mais e mais lucro e vê formas de chegar lá esmagando o trabalhador porque a ganância fala mais alto – afirmou o diretor jurídico do Sinmgra, Edson Dorneles.

A direção do Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí (Sinmgra) embarcou no meio da manhã para São Paulo, onde participará de uma reunião com a direção da empresa e integrantes dos demais sindicatos das outras unidades.

A montadora do Rio Grande do Sul abriga a produção do modelo Onix, atualmente o mais vendido do país. Foram 389,5 mil veículos comercializados em 2018, o que representa aproximadamente 15% da fatia de mercado. A montadora é líder nacional em vendas há pelo menos três anos. A presença da GM, em Gravataí, significa a geração de mais de seis mil empregos diretos e indiretos. Para o município representa, em retorno de ICMS, algo próximo de R$ 70 milhões.

O debate teve início quando a montadora havia ameaçado deixar o Brasil e América do Sul, caso os resultados financeiros não fossem melhorados. Em conversa com os sindicalistas a direção da empresa não descartou rever investimentos na planta de Gravataí. A unidade gaúcha integra as operações da GM Mercosul, que tem outras duas no Brasil: em São Caetano do Sul e São José dos Campos, ambas em São Paulo. A empresa ainda conta com uma unidade em Rosário, na Argentina.

Itens que estão em pauta

1. Formalização de Acordo Coletivo de longo prazo (2 anos) renováveis por mais dois anos.

2. Negociação de valor fixo e substituição de aumento salarial para empregados horista e congelamento ou redução da meritocracia para mensalistas.

3. Negociação de Participação nos Resultados com revisão de regras de aplicação, prevalência da proporcionalidade, transição para aplicação de equivalência salarial e inclusão de produtividade.

4. Participação dos Resultados por três anos sendo zero no 1o ano, 50% no 2o ano e 100% no 3o ano. 5. Suspensão das contribuições da GMB por 12 meses de Previdência

6. Alteração do Plano Médico

7. Implementação de Trabalho Intermitente por Acordo Coletivo e Individual

8. Terceirização de Atividades Meio e Fim

9. Jornada de Trabalho de 44 horas semanais para novas contratações

10. Piso Salarial de R$ 1.300,00

11. Redução do período de complementação auxílio previdenciário para 60 dias para um evento no ano.

12. Renovação de Acordos de Flexibilidade

13. Rescisão no Curso de Afastamento para empregos com tempo para aposentadoria (nova)

14. Desconsideração de Horas Extraordinárias (novas)

15. Trabalho em Regime de Tempo Parcial

16. Jornada Especial de Trabalho (12/36 horas)

17. Ajuste na Cláusula de Férias com parcelamento previsto em Lei

18. Regramento do Contrato de Trabalho Intermitente

19. Implicabilidade de Isonomia Salarial acima dos 48 meses ara grade nova

20. Cláusula regrando a adoção do Termo de Quitação Anual de Obrigações Trabalhistas

21. Congelamento de Política de Progressão Salarial horista por 12 meses

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