11 out, 2019

Um olhar atento para doenças que crescem entre as crianças

370434_912642_congresso_pediatria__13__web_Retomada dos casos de sarampo e aumento do número de casos de otite foram citados no penúltimo dia do Congresso Brasileiro de Pediatria

Mudanças comportamentais e sociais que impactam na saúde das crianças. Entre os diversos temas abordados na programação do Congresso Brasileiro de Pediatria que reúne cerca de sete mil pediatras em Porto Alegre, chamou a atenção casos de doenças que precisam um olhar atento dos profissionais e dos pais. O evento é uma realização da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS).

O caso mais evidente foi o ressurgimento do sarampo no Brasil. O principal recado enfatizado em todos os momentos é que os pediatras são fundamentais na orientação para os pacientes.

Temos uma baixa cobertura vacinal, hoje, proporcionadas por motivos como a falsa sensação de segurança com a visão equivocada de que essas doenças não existem, medo dos efeitos adversos da vacina, as fake news e a falta de vacina na rede pública – afirma o membro do Comitê de Infectologia da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS), Juarez Cunha.

O aumento do número de casos de otite também traz preocupação entre os médicos. Uma das razões apontadas para isso, é o fato de bebês estarem sendo colocados muito cedo na escola. Segundo a pediatra, Berenice Dias Ramos, a otite é uma doença de criança pequena e normalmente acompanha um resfriado. Sabe-se que em 60% dos casos não há dor e nem febre e o problema nesses casos é que enquanto ela está assim, tem a audição prejudicada.

– Nos primeiros anos de vida o bebê precisa escutar muito bem porque é quando está aprendendo a falar. Temos de ficar atentos para assegurar que quando aconteça um ataso na fala, seja examinado o ouvido, através de consulta com um pediatra ou otorrino-pediatra. Existem letras que chamamos de fonemas e que são muito parecidos como o “f” e o “v”, o “p” e o “b” o “t” e o “d” e as crianças com otite têm dificuldades de perceber essas diferenças e na hora de se alfabetizar acabam fazendo essas trocas – explicou.

Cuidados com o recém-nascido na UTI Neonatal também fizeram parte da programação, ao longo da sexta-feira (11/10). A pediatra, Rita de Cassia Silveira Rita, chamou a atenção para a importância dos cuidados com a saúde bucal especialmente em bebês graves que ficam por um longo período na UTI Neonatal.

– Como eles não podem se alimentar pela boca, em função da gravidade, acabam recebendo alimentação por sonda. Se é um bebê muito prematuro lesa o céu da boca que chamamos de pálato. Então, o pediatra e as famílias precisam estar atentos à isso não deixando de examinar a boca, fazendo um bom acompanhamento e higiene oral. Também reforçamos que isso não é só dentro da UTI. Após a alta, no acompanhamento ambulatorial, consultórios médicos ou mesmo em casa é fundamental atentar para a saúde bucal para evitar doenças infecciosas, para promover o aleitamento materno e para que esse bebê venha a desenvolver a fala adequadamente. Os odontopediatras são grandes parceiros nossos nesse trabalho – explicou.

Durante a manhã a programação também contou com debates de temas como emergências cardiológicas, tuberculose, infecção urinária, reumatologia, fibrose cística, calendário vacinal, entre outros. Durante a tarde as aulas abordaram problemas comuns em ambulatório pediátrico, imunodeficiências, distúrbios da diferenciação sexual, doenças reumáticas, cardiologia pediátrica e esportes e manejo do trauma, entre outros.

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