Especialistas detalharão, no Congresso Gaúcho de Atualização em Pediatria, como enchentes e mudanças ambientais influenciam doenças, acesso ao cuidado e saúde mental
Os efeitos das mudanças climáticas e dos eventos extremos já integram a rotina dos serviços de saúde e impactam diretamente o cuidado com crianças no Rio Grande do Sul. O tema ganha destaque na programação do Congresso Gaúcho de Atualização em Pediatria, promovido pela Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS), que reunirá especialistas para analisar de que forma enchentes, ondas de calor e alterações ambientais vêm modificando o perfil das doenças, o acesso aos serviços e o desenvolvimento infantil no estado.
A abordagem será aprofundada em dois momentos da programação de sexta-feira, com uma conferência dedicada à pediatria ambiental no contexto gaúcho, seguida de um painel que examina os efeitos diretos dos eventos extremos na infância. Entre os pontos discutidos estão mudanças no perfil epidemiológico, dificuldades no acesso à assistência e repercussões no desenvolvimento físico e emocional das crianças.
O 2º secretário da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS), João Ronaldo Mafalda Krauzer, explica que as consequências desses episódios já são perceptíveis no cotidiano da prática pediátrica. “Ao analisar as enfermidades relacionadas às recentes alterações climáticas no Rio Grande do Sul, especialmente após as enchentes, observamos aumento significativo de doenças como leptospirose, gastroenterites, arboviroses e infecções respiratórias. Além disso, doenças preveníveis como hepatite A e tétano também passaram a ocorrer com maior frequência, especialmente em populações mais vulneráveis. Outro ponto importante é o crescimento dos problemas de saúde mental nas crianças, que também merecem atenção especial”, afirma.
Segundo o especialista, a combinação de fatores como água contaminada, aglomeração em abrigos e interrupção de serviços contribui para um cenário assistencial mais complexo. Doenças como dengue, influenza e COVID-19 também apresentaram aumento após eventos extremos, evidenciando a necessidade de estratégias mais integradas de prevenção e resposta.
Krauzer ressalta ainda a importância de avançar na preparação do sistema de saúde diante da recorrência desses episódios. “Ainda não estamos totalmente preparados para lidar com eventos climáticos extremos de forma contínua, especialmente no que diz respeito à saúde mental, ao desenvolvimento infantil e ao controle de doenças típicas desses períodos. É fundamental investir em protocolos específicos, fortalecer o trabalho multidisciplinar e ampliar a integração entre saúde, educação e assistência social”, destaca.
O Congresso Gaúcho de Atualização em Pediatria se consolida como um espaço estratégico de atualização científica e troca de experiências, trazendo à pauta temas que extrapolam o ambiente clínico e dialogam diretamente com a realidade vivida pela população. A discussão sobre mudanças climáticas amplia o olhar sobre a saúde infantil, considerando fatores ambientais, sociais e estruturais que influenciam o cuidado.
Mais informações sobre a programação e inscrições estão disponíveis no site oficial do evento:
https://www.gauchopediatria.
Redação: Marcelo Matusiak
A Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul foi fundada em 25 de junho de 1936 com o nome de Sociedade de Pediatria e Puericultura do Rio Grande do Sul pelo Prof. Raul Moreira e um grupo de médicos precursores da formação pediátrica no Estado. A entidade cresceu e se desenvolveu com o espírito de seus idealizadores, que, preocupados com os avanços da área médica e da própria especialidade, uniram esforços na construção de uma entidade que congregasse os colegas que a cada ano se multiplicavam no atendimento específico da população infantil. Atualmente conta com cerca de 1.750 sócios, e se constitui em orgulho para a classe médica brasileira e, em especial, para a família pediátrica.