Especialistas discutirão avanços tecnológicos em imunizações, estratégias para pacientes imunocomprometidos e os desafios da baixa cobertura vacinal durante o evento da Sociedade Gaúcha de Infectologia
As novas plataformas vacinais, os desafios da cobertura vacinal e as estratégias de proteção para populações mais vulneráveis estarão entre os temas centrais do 7º InfectoTchê, promovido pela Sociedade Gaúcha de Infectologia (SGI), nos dias 22 e 23/05, sexta-feira e sábado, no Hotel Hilton Porto Alegre, em Porto Alegre (RS). A programação reunirá especialistas em imunizações, pediatria e saúde pública para debater vacinas contra dengue, HPV e doenças respiratórias, além dos avanços das tecnologias de RNA mensageiro (mRNA) e das estratégias voltadas a pacientes imunocomprometidos e idosos.
Entre os destaques da programação está a discussão sobre vacinas de nova geração, que vêm transformando a velocidade de resposta diante de vírus que sofrem mutações frequentes, como influenza e Covid-19, entre outras. Segundo a infectologista Dra. Lessandra Michelin, as vacinas de mRNA representam uma mudança importante no cenário da imunização mundial e hoje integram um campo mais amplo de novas plataformas vacinais em desenvolvimento e aplicação clínica.
“As vacinas de mRNA permitem uma adaptação muito mais rápida diante de vírus que mudam constantemente. Elas reduzem significativamente o tempo de produção e possibilitam uma resposta em larga escala para situações emergenciais. Hoje, sabemos que essas vacinas têm um papel importante especialmente na prevenção de formas graves das doenças respiratórias”, afirma.
Conforme a médica, além das vacinas de RNA mensageiro (mRNA), outras tecnologias modernas também têm papel importante na proteção contra doenças. As vacinas de vetor viral utilizam vírus modificados e seguros para “ensinar” o organismo a se defender, gerando uma resposta forte do sistema imunológico. Já as vacinas de subunidades proteicas usam apenas pequenas partes do vírus ou bactéria, o que aumenta a segurança e facilita a produção em larga escala. Outra tecnologia em desenvolvimento são as vacinas de DNA, que permitem criar imunizantes de forma mais rápida diante de novas ameaças. Juntas, essas plataformas representam um avanço significativo, tornando as vacinas mais eficazes, seguras e ágeis no enfrentamento de doenças atuais e futuras.
Além disso, um exemplo também citado sobre novas vacinas que vieram para auxiliar em doenças em diversas faixas etárias envolve o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), importante causa de infecções respiratórias em crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas como com asma, DPOC ou insuficiência cardíaca. Atualmente, estratégias vacinais em rede pública para proteger bebês envolvem a vacinação da gestante e o uso de anticorpos monoclonais. Na rede privada, há duas vacinas para adultos, reduzindo o risco de formas graves da doença.
Outro ponto que será abordado durante o evento envolve as diferentes estratégias vacinais utilizadas conforme o perfil do paciente. Segundo a especialista, pessoas imunocomprometidas, transplantados, pacientes em quimioterapia e idosos exigem cuidados específicos na escolha do tipo de vacina e no momento ideal da imunização.
“Nem todas as vacinas podem ser feitas em qualquer situação clínica. Em pacientes com imunidade reduzida, precisamos avaliar o melhor momento da vacinação e, muitas vezes, utilizar esquemas diferenciados, com doses adicionais, vacinas com adjuvantes ou formulações específicas para garantir uma resposta mais eficaz”, destaca Dra. Lessandra.
A programação também abordará a importância do chamado “imuno fitness”, conceito relacionado ao estímulo contínuo do sistema imunológico ao longo da vida. A proposta reforça que vacinação, alimentação adequada, atividade física e hábitos saudáveis contribuem para uma resposta imunológica mais eficiente, especialmente no envelhecimento.
Mais detalhes sobre o encontro podem ser conferidos em https://www.infectotche.
Redação: Marcelo Matusiak