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Copa e saúde pública: lições dos países-sede

Artigo de Opinião: presidente da AMRIGS, Dr. Gerson Junqueira Jr.

A Copa do Mundo costuma mobilizar olhares para atletas, seleções e torcedores. Mas o clima do Mundial também pode inspirar uma reflexão além do futebol. Ao observar as experiências dos países-sede — Estados Unidos, México e Canadá —, o Brasil tem a oportunidade de analisar modelos de saúde pública e pensar sobre seus desafios.

Nosso país tem uma conquista que precisa ser reconhecida. O Sistema Único de Saúde (SUS) é um dos maiores modelos públicos universais do mundo e garante atendimento como direito de todos. Vacinação, transplantes, vigilância epidemiológica, atenção básica, urgência e tratamentos complexos formam uma rede de alcance extraordinário em território continental. Ao mesmo tempo, filas, desigualdades regionais, acesso difícil a especialistas e subfinanciamento impedem respostas rápidas. Há, ainda, uma preocupação atual da Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS), junto a outras entidades médicas, com o excesso de faculdades de Medicina sem a devida preocupação com a qualidade do ensino.

Os Estados Unidos mostram a potência da tecnologia, da pesquisa e da alta complexidade, mas revelam que sofisticação científica não basta quando parte da população enfrenta barreiras econômicas. O México evidencia o desafio de expandir cobertura em meio à fragmentação, com renda, emprego e região pesando no acesso. O Canadá reafirma o valor de tratar a saúde como direito, embora enfrente filas e dificuldades para distribuir profissionais.

Para o Brasil, a lição está no equilíbrio: preservar o Sistema Único de Saúde (SUS), financiar melhor a rede, reduzir desigualdades e incorporar inovação. A Copa passa, mas os sistemas de saúde ficam. A verdadeira vitória será transformar a curiosidade do Mundial em aprendizado para unir ciência, humanidade, proteção social, capacitação médica e cuidado seguro para todos.

Dr. Gerson Junqueira Jr.
Presidente da AMRIGS

Sobre a AMRIGS

A Associação Médica do Rio Grande do Sul é uma organização sem fins lucrativos voltada para a atualização do conhecimento técnico-científico e para a realização de debates científico-culturais relacionados à saúde, à Medicina e à vida profissional. Desde o momento de sua fundação em 1951, a AMRIGS integra a vida do médico em todas as etapas da profissão, tendo como objetivos:

  • Fomentar a ciência e a cultura médica;
  • Promover a defesa profissional;
  • Fortalecer o associativismo e a representatividade médica;
  • Ser influenciadora como entidade protagonista de ações em prol da saúde.

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