Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul alerta que uso excessivo de telas, mudanças de comportamento, transtornos alimentares e isolamento estão entre os pontos que exigem atenção das famílias
Dar mais autonomia aos adolescentes faz parte do desenvolvimento, mas isso não significa deixar de acompanhar sua rotina, seus hábitos e eventuais mudanças de comportamento. A Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS) chama a atenção, nesta segunda-feira (21/09), para a importância de famílias e profissionais de saúde manterem um olhar próximo durante essa fase, especialmente diante de questões relacionadas à saúde mental, uso excessivo de telas, transtornos alimentares, sedentarismo e redução das atividades e relações presenciais.
A pediatra e médica de adolescente, Dra. Lilian Hagel explica que a presença cada vez maior das atividades online trouxe novos desafios para o acompanhamento dos adolescentes. Permanecer por muitas horas conectado e isolado no próprio quarto, por exemplo, pode fazer com que alterações importantes passem despercebidas pela família.
“Hoje precisamos ter tanta atenção com o que o adolescente faz sozinho no ambiente online quanto teríamos com situações de risco fora de casa. Existe o perigo de ele ficar invisível para a família, mesmo estando dentro do próprio quarto”, alerta.
Outro aspecto que merece atenção é o impacto das redes sociais sobre a percepção corporal e a autoestima. Segundo a médica, imagens e estilos de vida apresentados nas plataformas podem criar referências difíceis de alcançar e interferir na forma como o jovem percebe o próprio corpo, seus relacionamentos e suas conquistas.
Ao mesmo tempo, a especialista ressalta que estimular a independência é necessário. Esse processo, porém, deve ocorrer de forma gradual e começar ainda na infância. Responsabilidades com tarefas, estudos e cuidados pessoais podem ser ampliadas à medida que a criança e, posteriormente, o adolescente demonstram condições para lidar com elas.
“Dar autonomia é como ensinar alguém a andar de bicicleta ou a atravessar uma rua. Ela precisa ser construída paulatinamente. O adolescente deve aprender a cuidar da própria saúde, mas há situações em que o acompanhamento dos responsáveis continua sendo indispensável, como no uso de determinados medicamentos”, explica Dra. Lilian.
Mudanças persistentes devem ser observadas
Dormir excessivamente ou permanecer acordado por longos períodos, comer muito ou muito pouco, abandonar atividades habituais, isolar-se ou apresentar mudanças importantes na rotina são alguns comportamentos que precisam ser observados, especialmente quando começam a prejudicar outras áreas da vida.
A adolescência naturalmente envolve exploração, experiências e mudanças. O alerta ocorre quando os comportamentos passam a ser excessivos, persistentes ou trazem prejuízos para a escola, relações familiares, amizades, saúde ou atividades cotidianas.
Nesse acompanhamento, o pediatra e médica de adolescente pode avaliar não apenas crescimento e desenvolvimento físico, mas também comportamento, saúde mental, hábitos de vida e fatores de risco. A consulta também permite identificar precocemente condições como obesidade, dislipidemia e hipertensão, que podem começar nessa etapa da vida e produzir consequências na idade adulta.
A recomendação da especialista é que o adolescente mantenha acompanhamento periódico com profissional habilitado para essa faixa etária, inclusive quando aparentemente está saudável. A prevenção e a conversa aberta entre jovens, famílias e profissionais ajudam a identificar alterações precocemente e permitem que a autonomia seja conquistada com segurança.
Redação: Marcelo Matusiak
A Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul foi fundada em 25 de junho de 1936 com o nome de Sociedade de Pediatria e Puericultura do Rio Grande do Sul pelo Prof. Raul Moreira e um grupo de médicos precursores da formação pediátrica no Estado. A entidade cresceu e se desenvolveu com o espírito de seus idealizadores, que, preocupados com os avanços da área médica e da própria especialidade, uniram esforços na construção de uma entidade que congregasse os colegas que a cada ano se multiplicavam no atendimento específico da população infantil. Atualmente conta com cerca de 1.750 sócios, e se constitui em orgulho para a classe médica brasileira e, em especial, para a família pediátrica.