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AMRIGS leva debate sobre formação de especialistas no Brasil ao 64º Congresso Brasileiro de Educação Médica

Vice-presidente eleito da entidade, Dr. Alberto Salgueiro Molinari, discutiu diferenças entre Residência Médica, pós-graduação e obtenção do Registro de Qualificação de Especialista

Os diferentes caminhos para a qualificação de médicos especialistas no Brasil, em um cenário marcado pela expansão dos cursos de Medicina e pela necessidade de assegurar preparo adequado aos profissionais estiveram em debate nesta sexta-feira, dia 18 de setembro, durante o 64º Congresso Brasileiro de Educação Médica (COBEM), na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre. O vice-presidente eleito da Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS), Dr. Alberto Salgueiro Molinari, representou a AMRIGS e também a Associação Médica Brasileira (AMB) na mesa-redonda “Especializações: Todos os caminhos levam ao (mesmo) RQE?”, dedicada às diferenças entre Residência Médica, pós-graduações e outras formas de reconhecimento como especialista.
 
Dados apresentados pela AMB, com base na Demografia Médica de 2025, indicam que o Brasil conta com cerca de 635 mil médicos, dos quais 477.155 possuem título de especialista. Desse grupo, 43% obtiveram a titulação exclusivamente por meio das Sociedades de Especialidades Médicas vinculadas à entidade e 57% pela Residência Médica.
 
A discussão abordou ainda o Registro de Qualificação de Especialista (RQE), que, diferentemente do registro no Conselho Regional de Medicina (CRM), identifica formalmente a área em que o médico está habilitado. Em 2024, o país tinha 49.988 profissionais cursando Residência, sendo 47.718 em especialidades e 2.270 em áreas de atuação. Conforme os números apresentados pela AMB, o investimento em bolsas para esse processo alcançava cerca de R$ 205 milhões por mês e R$ 2,46 bilhões ao ano.
 
“Hoje, o Brasil forma cerca de 50 mil médicos por ano, mas temos aproximadamente 24 mil vagas de ingresso na Residência Médica. Isso significa que menos da metade desses profissionais consegue iniciar imediatamente uma especialização por essa via. É uma diferença que preocupa, porque amplia o contingente de médicos sem Registro de Qualificação de Especialista e favorece a procura por cursos de pós-graduação lato sensu que, por si só, não conferem o RQE. Precisamos discutir como ampliar a formação de especialistas com qualidade e segurança”, alertou Dr. Alberto Molinari.
 
A mesa-redonda contou ainda com a participação do médico Francisco Jorge Arsego Quadros de Oliveira, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Associação Brasileira de Educação Médica (ABEM), e de Alisson Lisboa, do Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES). A moderação ficou a cargo do Dr. Lucas Schreiner, ginecologista e obstetra e chefe do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da PUCRS.
 
Realizado entre os dias 17 e 20 de setembro, o 64º COBEM tem como tema “Diretrizes da Educação Médica: Avaliação e Qualidade a Serviço de Toda a Sociedade” e reúne docentes, estudantes, pesquisadores, preceptores, residentes, gestores, autoridades e especialistas de diferentes regiões do país. A etapa posterior à graduação integra um dos principais eixos do congresso, com discussões sobre Residência Médica, pós-graduação, educação permanente, preceptoria, interiorização do ensino e políticas de provimento e fixação de médicos em regiões de maior vulnerabilidade.
 
Promovido pela ABEM, o encontro também contempla avaliação dos cursos, novas Diretrizes Curriculares Nacionais, inteligência artificial, saúde mental e preparação voltada às necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS). Mais informações sobre a programação podem ser obtidas no site oficial do 64º COBEM em https://website.abem-educmed.org.br/congressos/cobem/ 

Redação: Marcelo Matusiak

 

Sobre a AMRIGS

A Associação Médica do Rio Grande do Sul é uma organização sem fins lucrativos voltada para a atualização do conhecimento técnico-científico e para a realização de debates científico-culturais relacionados à saúde, à Medicina e à vida profissional. Desde o momento de sua fundação em 1951, a AMRIGS integra a vida do médico em todas as etapas da profissão, tendo como objetivos:

  • Fomentar a ciência e a cultura médica;
  • Promover a defesa profissional;
  • Fortalecer o associativismo e a representatividade médica;
  • Ser influenciadora como entidade protagonista de ações em prol da saúde.

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