Encontro abordou pautas institucionais, avanços no combate ao HIV no Rio Grande do Sul e o fortalecimento de ações conjuntas
O presidente da Associação Médica do Rio Grande do Sul, Dr. Gerson Junqueira Jr., reuniu-se nesta segunda-feira, 11 de maio, com a nova secretária estadual da Saúde do Rio Grande do Sul, Lisiane Fagundes, no Centro Administrativo Fernando Ferrari, em Porto Alegre. O encontro teve como principal objetivo reforçar a parceria institucional entre a Secretaria Estadual da Saúde (SES) e a AMRIGS, ampliando o diálogo sobre pautas estratégicas para a saúde pública gaúcha.
Também participaram da agenda o auditor-geral em Sistemas e Serviços de Saúde da SES, Bruno Naundorf, e o presidente da Sociedade Gaúcha de Infectologia (SGI), Dr. Dimas Kliemann.
Há cerca de um mês à frente da pasta, Lisiane Fagundes é graduada em Gestão Financeira pela Uniftec e possui especializações em Gestão em Saúde pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Redes de Atenção à Saúde pela Fiocruz e em Políticas de Saúde Informadas por Evidências e Processos Educacionais em Saúde pelo Instituto Sírio-Libanês. Antes de assumir o cargo, atuava como diretora do Departamento de Gestão da Atenção Especializada da Secretaria.
Durante a reunião, Dr. Gerson destacou a importância da aproximação entre as entidades médicas e o poder público para o fortalecimento da assistência à população.
“Queremos manter uma relação próxima e colaborativa com a Secretaria Estadual da Saúde. A AMRIGS está à disposição para contribuir tecnicamente com pautas relevantes para a Medicina e para a saúde dos gaúchos. Esse alinhamento é fundamental para avançarmos em projetos e ações conjuntas”, afirmou o presidente da entidade.
Entre os assuntos apresentados pela Associação Médica estiveram o Observatório do Câncer; os Prêmios AMRIGS de Jornalismo e de Melhores Práticas na Medicina, que estão com inscrições abertas; e as comemorações dos 75 anos da instituição, celebrados em 2026. Na ocasião, Dr. Gerson também convidou a secretária para participar das atividades alusivas à data.
Outro destaque da pauta foi o 7º InfectoTchê, promovido pela SGI. O congresso será realizado nos dias 22 e 23 de maio de 2026, no Hilton Porto Alegre, reunindo especialistas nacionais e palestrantes internacionais para debater os principais desafios contemporâneos da Infectologia. Consolidado como um dos principais eventos científicos da Região Sul voltados às doenças infecciosas e áreas correlatas, o encontro amplia seu escopo temático e reforça a integração entre assistência, pesquisa e políticas públicas em saúde.
A programação também contará com o lançamento oficial da Carta de Porto Alegre, iniciativa que nasce como um movimento coletivo entre sociedade civil, gestores públicos e comunidade médica para enfrentar a epidemia de HIV no Rio Grande do Sul. Baseada em evidências científicas e guiada pelos princípios da dignidade, empatia e equidade, a proposta busca fortalecer e ampliar o acesso às estratégias mais eficazes de prevenção, diagnóstico e tratamento do HIV, promovendo ações como a testagem universal, o diagnóstico precoce, o tratamento imediato e a prevenção combinada, incluindo a PrEP oral e a PrEP injetável de longa duração.
Segundo Dr. Dimas, o Rio Grande do Sul apresenta atualmente os piores indicadores do país relacionados ao HIV, o que reforça a necessidade de mobilização conjunta entre entidades médicas e gestores públicos.
“Diversos protocolos de cura estão sendo testados no Rio Grande do Sul, mas ainda enfrentamos números muito preocupantes. Precisamos ampliar o debate e fortalecer estratégias de diagnóstico precoce”, ressaltou o infectologista.
Ao longo da agenda, os médicos defenderam a ampliação da solicitação de exames de HIV em todas as especialidades médicas. A proposta busca reduzir estigmas e tornar a testagem uma prática mais natural e acessível na rotina assistencial.
“É muito importante incluirmos a Secretaria Estadual da Saúde nessa pauta, porque estamos falando de um problema de saúde pública no Rio Grande do Sul. Precisamos quebrar tabus e incentivar cada vez mais a realização dos testes”, destacou Dr. Gerson.
O encontro também abordou a construção de uma articulação entre entidades médicas, sociedades de especialidades e a Secretaria Estadual da Saúde para discutir a obrigatoriedade da testagem de HIV no estado.
Para a secretária Lisiane Fagundes, o cenário exige atenção e ações coordenadas.
“Se os números fossem satisfatórios, não precisaríamos estar debatendo esse tema. Precisamos trazer mais atores para essa discussão e avançar em estratégias efetivas para enfrentar esse desafio”, afirmou.
Redação: Ana Carolina Lopes/ASCOM AMRIGS
Sobre a AMRIGS
A Associação Médica do Rio Grande do Sul é uma organização sem fins lucrativos voltada para a atualização do conhecimento técnico-científico e para a realização de debates científico-culturais relacionados à saúde, à Medicina e à vida profissional. Desde o momento de sua fundação em 1951, a AMRIGS integra a vida do médico em todas as etapas da profissão, tendo como objetivos:
- Fomentar a ciência e a cultura médica;
- Promover a defesa profissional;
- Fortalecer o associativismo e a representatividade médica;
- Ser influenciadora como entidade protagonista de ações em prol da saúde.