SOCERGS alerta que emoções intensas durante os jogos podem atuar como gatilho para infarto, arritmias e outros eventos cardíacos em pessoas predispostas
A Copa do Mundo mobiliza torcedores em todo o país, mas a emoção dentro e fora de campo também exige atenção com a saúde cardiovascular. A tensão das partidas, a ansiedade, a expectativa por resultados e o estresse provocado por jogos decisivos podem impactar o organismo e funcionar como gatilho para problemas cardíacos agudos, especialmente em pessoas com histórico de doença no coração, hipertensão, arritmias ou fatores de risco não controlados.
A Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (SOCERGS) chama atenção para sinais que não devem ser ignorados durante os jogos, como mal-estar, dor no peito, falta de ar, palpitações, suor frio ou sensação de desmaio. Nessas situações, a orientação é procurar atendimento de emergência imediatamente.
O diretor de Compliance da SOCERGS, Dr. Fábio Michalski Velho, explica que a relação entre futebol, emoção e coração já foi observada em diferentes estudos científicos realizados durante Copas do Mundo.
“Estamos vivenciando uma Copa do Mundo em todas as suas emoções. O futebol é uma paixão nacional e mexe com o nosso coração não só no sentido figurado, mas também com o nosso coração de verdade. Muitos nos perguntam se as tensões, emoções e ansiedades vivenciadas em um jogo podem realmente afetar a saúde cardiovascular. Trabalhos científicos conduzidos durante diferentes Copas do Mundo mostram que sim”, afirma.
Segundo o médico, durante a Copa do Mundo da Alemanha, em 2006, pesquisadores observaram aumento expressivo de eventos cardiovasculares durante os jogos da seleção alemã, com crescimento no número de infartos e arritmias. O risco foi maior entre homens e pessoas com histórico prévio de doença cardíaca. Ele também lembra que, na Inglaterra, um estudo apontou aumento na ocorrência de infarto agudo do miocárdio no dia em que a seleção inglesa foi eliminada nos pênaltis pela Argentina. No Brasil, análise realizada entre as Copas de 1998 e 2010 identificou maior risco de infarto nos dias de jogos da seleção brasileira.
“Os dados reforçam que emoções intensas podem funcionar como gatilhos para problemas cardíacos agudos, especialmente em indivíduos predispostos. Por isso, caso durante uma partida surjam sintomas como mal-estar, dor no peito, falta de ar ou palpitações, a orientação é procurar atendimento de emergência imediatamente”, destaca.
A entidade reforça que o cuidado preventivo deve fazer parte da rotina, independentemente do período da Copa. Manter consultas médicas em dia, controlar pressão arterial, colesterol e diabetes, evitar excesso de bebidas alcoólicas, não fumar, dormir adequadamente e respeitar os limites do corpo são atitudes importantes para reduzir riscos.
Redação: Marcelo Matusiak