Doença inflamatória crônica pode comprometer o sono, a concentração e a qualidade de vida de crianças, adultos e familiares
Coceira intensa, pele seca, vermelhidão e lesões que aparecem ou pioram em determinados períodos fazem parte da rotina de quem convive com a dermatite atópica. A doença, que não é contagiosa, pode atingir até 20% das crianças e 10% dos adultos, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria. Neste mês, o Dia Mundial da Dermatite Atópica, em 14 de setembro, e o Dia Nacional de Conscientização da Dermatite Atópica, em 23 de setembro, reforçam a importância da informação para o diagnóstico e o controle adequado da condição.
A vice-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Secção do Rio Grande do Sul (SBD-RS), Dra. Cíntia Pessin, explica que a dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica e imunomediada. Por isso, não se fala propriamente em cura, mas em controle.
“Com o tratamento adequado, esse controle pode ser duradouro e prolongado. Nas crianças, também pode ocorrer uma melhora progressiva conforme elas crescem, devido a alterações próprias do desenvolvimento, como mudanças na imunidade cutânea e na composição dos lipídios da pele”, explica.
Alguns hábitos cotidianos podem favorecer o aparecimento ou a piora das crises. Entre os mais comuns estão os banhos quentes e prolongados, o uso excessivo de sabonetes e produtos com muito perfume. Esses fatores contribuem para o ressecamento e comprometem ainda mais a barreira de proteção da pele.
Entre os cuidados recomendados estão tomar banhos rápidos e com a água o menos quente possível, hidratar a pele logo após o banho com produtos preferencialmente sem perfume e orientados pelo dermatologista, além de evitar o uso de sabonete em todo o corpo. Quando possível, podem ser utilizados produtos de limpeza do tipo syndet, formulados para agredir menos a barreira cutânea.
“Também orientamos evitar mais de um banho por dia com sabonete. Caso seja necessário outro banho, o ideal é usar apenas água. Roupas de tecidos naturais, como algodão, e ambientes limpos e arejados também ajudam no cuidado diário”, acrescenta a vice-presidente da SBD-RS.
O impacto da dermatite atópica, entretanto, vai além das lesões visíveis. A coceira durante a noite pode provocar pequenos despertares repetidos e comprometer a qualidade do sono.
“Quando o sono é prejudicado, podem surgir alterações na concentração e na disposição para atividades na escola ou no trabalho, além de irritabilidade. Forma-se ainda um ciclo em que a falta de sono e a coceira contribuem para a piora das lesões. Por isso, o impacto emocional pode atingir não apenas o paciente, mas toda a família”, destaca Dra. Cíntia.
A SBD-RS reforça ainda a importância de cuidar da saúde mental, manter vínculos sociais e reservar espaço para atividades que contribuam para o relaxamento e o bem-estar. O acompanhamento médico permite identificar fatores desencadeantes e definir o tratamento mais adequado para cada paciente.
Em casos de suspeita de dermatite atópica ou de outras alterações na pele, procure um médico dermatologista. Os profissionais habilitados podem ser conferidos no site http://www.sbdrs.org.br/
Redação: Marcelo Matusiak
Sobre a SBD-RS
A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) é a única instituição reconhecida oficialmente pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Associação Médica Brasileira (AMB) como representante dos dermatologistas no Brasil. Os médicos dermatologistas a ela ligados precisam obter o Título de Especialista que atesta a sua capacitação. A secção SBD-RS é a sua representante no território do Rio Grande do Sul.