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Entidades médicas debatem futuro profissional das novas gerações em evento na AMRIGS

Primeiro dia do Encontro da Comissão Nacional do Médico Jovem da AMB - Edição Rio Grande do Sul 2026 reuniu lideranças da Medicina brasileira para discutir qualidade da formação e carreira

O preparo de novos médicos impacta diretamente na segurança dos pacientes, na resolutividade dos atendimentos e na qualidade da assistência em saúde no Brasil. Esse foi o eixo do primeiro dia do Encontro da Comissão Nacional do Médico Jovem da AMB – Edição Rio Grande do Sul 2026, realizado nesta sexta-feira, dia 15 de maio, na sede da Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS), em Porto Alegre. A programação reuniu representantes da Associação Médica Brasileira (AMB), da AMRIGS, do Conselho Federal de Medicina (CFM), acadêmicos, residentes e médicos.
 
A abertura reuniu lideranças nacionais e estaduais da Medicina e evidenciou o papel das entidades no acolhimento, na orientação e na valorização dos profissionais do segmento em início de carreira. Em manifestação por vídeo, o presidente AMB, Dr. César Eduardo Fernandes, afirmou que o fortalecimento do associativismo passa pela renovação geracional e pela aproximação com quem está iniciando sua trajetória.
 
“Precisamos atrair os jovens, que pensam de maneira própria e diferente da nossa, porque eles são o futuro do movimento associativo e da assistência médica brasileira. Mais do que isso, eles precisam caminhar conosco nessa construção.”, afirmou.
 
O presidente da AMRIGS, Dr. Gerson Junqueira Jr., ressaltou que o cenário da Medicina no Brasil mudou profundamente nas últimas décadas, com aumento expressivo de cursos e novas exigências no ingresso ao mercado de trabalho.
 
“Temos hoje um panorama completamente distinto daquele de três ou quatro décadas atrás, quando me formei e comecei a atuar na área. O Brasil conta atualmente com cerca de 635 mil médicos e, no Rio Grande do Sul, são quase 40 mil profissionais. Ao mesmo tempo, vimos um crescimento desordenado das faculdades de Medicina, com 22 escolas no Estado, o que nos obriga a discutir a qualidade da formação e a capacidade de preparar médicos com resolutividade”, salientou.
 
Ao representar o Conselho Federal de Medicina no Rio Grande do Sul (CFM), o conselheiro, Dr. Carlos Sparta, destacou que a construção da carreira médica exige preparo técnico, responsabilidade e compromisso com a sociedade.
 
“Além da preocupação com a graduação e com a capacidade de atender com segurança, a nova geração também precisa lidar com temas administrativos e jurídicos que passaram a fazer parte da rotina da Medicina, como formas de contratação, modelos de remuneração e vínculos de trabalho”.
 
O presidente da Comissão Nacional do Médico Jovem da AMB (CNMJ/AMB), Dr. Zeus Tristão, defendeu a ampliação da presença dos jovens em debates sobre capacitação e representatividade.
 
“Desejamos que, a partir de hoje, possamos iniciar uma nova era da Medicina moderna, com médicos mais unidos, comprometidos com a defesa de direitos, com a discussão qualificada e, acima de tudo, com aquilo que mais importa, que é o paciente”, declarou.
 
O coordenador da Comissão Nacional do Médico Jovem da AMRIGS (CNMJ/AMRIGS), Dr. Ângelo Fajardo, explicou que o projeto pretende passar por todo o Brasil, promovendo essa troca de experiências, falando, muitas vezes, sobre temas que a faculdade não contempla.
 
“A ideia é aproximar várias idades, ampliar a visão sobre a carreira médica e preparar melhor quem está começando para os desafios futuros”, ressaltou.
 
A participação dos acadêmicos em ambientes institucionais que conectam ensino, associativismo e vivência profissional também foi abordada.
 
“Este encontro é uma oportunidade de networking. Esse diálogo é muito importante para que possamos aprender com diferentes trajetórias e entender melhor os caminhos da Medicina para além da formação em sala de aula”, frisou a presidente do Departamento Universitário da AMRIGS (DU AMRIGS), Isadora Pasini.
 
Programação aprofunda formação, propósito e desafios da carreira médica
 
O conteúdo científico iniciou com a palestra “Qualidade e resolubilidade na formação médica”, conduzida em formato online pelo presidente da Associação Médica Brasileira, Dr. César Eduardo Fernandes. Em sua abordagem, destacou a necessidade de aprimorar o ensino com foco em competência, confiança e compromisso com o paciente. O dirigente ressaltou que os próximos anos devem ser marcados pela busca de modelos educacionais capazes de preparar profissionais mais qualificados para os desafios da prática assistencial, com base em atividades confiabilizadoras, alinhadas às necessidades reais da sociedade.
 
Na sequência, o painel “O médico que eu me tornei vs. o médico que eu sonhei ser”, apresentado em formato online pela geriatra e escritora, Dra. Ana Cláudia Quintana Arantes, propôs uma reflexão sensível sobre vocação, amadurecimento e o equilíbrio entre idealização, realidade e cuidado. A médica destacou que muitos jovens ainda carregam o peso de corresponder a projetos familiares ou sociais, sem necessariamente reconhecerem seus próprios desejos. Para ela, a construção de uma vida profissional mais plena passa pela coragem de compreender as próprias motivações, lidar com o medo da rejeição e superar a sensação de impostora que costuma aparecer no início da caminhada.
 
“Não existe felicidade quando a gente compra as expectativas das outras pessoas. Para ser feliz na vida, é preciso encontrar uma forma de lidar com a aceitação e com a rejeição. No início da carreira, temos medo de sermos rejeitados e muitas vezes aparece a sensação de que somos impostores. A gente passa a faculdade inteira, se forma e ainda pode ter a impressão de que não está pronta, de que ninguém vai confiar na nossa prescrição. Mas amadurecer também é reconhecer esse processo e construir, com verdade, o médico que cada um deseja ser”.
 
O encerramento contou com a participação do cirurgião torácico e escritor, Dr. J.J. Camargo, com o tema “Desafios do médico jovem. Quem vai estar ao seu lado?”. Em sua fala, o especialista discorreu sobre a dimensão humana do acompanhamento. Dr. Camargo destacou que, especialmente diante do adoecimento, a presença do médico como parceiro tem um valor que vai além da técnica. Para ele, o vínculo começa no reconhecimento da identidade, o que exige atenção, escuta e respeito à forma como o paciente deseja ser tratado. 
 
“Quando ficamos doentes, o que precisamos é sentir que não estamos sozinhos. E é nessa condição que o médico se apresentar como um aliado tem um significado incomparável. O acolhimento começa valorizando quem o paciente é. Ao médico cabe respeitar, reconhecer e cuidar”.
 
A programação segue neste sábado, dia 16 de maio, com oficinas teórico-práticas, abordando desde procedimentos básicos e via aérea difícil até análise crítica de artigos científicos, prontuário seguro e o uso da inteligência artificial aplicada à Medicina 4.0. O segundo dia também terá mesa redonda e painéis sobre finanças, contratos, associativismo, riscos jurídicos, educação médica no Brasil, residência e os desafios enfrentados pelo médico jovem brasileiro.
 
Redação: Marcelo Matusiak
 
Sobre a AMRIGS

A Associação Médica do Rio Grande do Sul é uma organização sem fins lucrativos voltada para a atualização do conhecimento técnico-científico e para a realização de debates científico-culturais relacionados à saúde, à Medicina e à vida profissional. Desde o momento de sua fundação em 1951, a AMRIGS integra a vida do médico em todas as etapas da profissão, tendo como objetivos:

  • Fomentar a ciência e a cultura médica;
  • Promover a defesa profissional;
  • Fortalecer o associativismo e a representatividade médica;
  • Ser influenciadora como entidade protagonista de ações em prol da saúde.

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