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Meu filho está doente: quando é hora de ir à emergência?

Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul explica quais sinais exigem atendimento imediato e quando febre, tosse, coriza e outros sintomas podem ser acompanhados pelo pediatra

O aumento das infecções respiratórias durante o inverno também eleva a procura pelas emergências pediátricas. Para a Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS), reconhecer os sinais de gravidade ajuda as famílias a buscar o atendimento adequado e contribui para que os serviços de urgência estejam disponíveis principalmente para quem realmente necessita de avaliação imediata.

Segundo o 1º secretário da SPRS, João Ronaldo Mafalda Krauzer, resfriados, gripes e outras infecções respiratórias são frequentes nesta época do ano e, na maioria dos casos, apresentam evolução autolimitada.

“A grande maioria das infecções respiratórias na infância são virais e podem ser acompanhada em casa, com avaliação do pediatra. A emergência passa a ser necessária quando surgem sinais de gravidade, como dificuldade ou esforço para respirar, respiração muito rápida, coloração arroxeada nos lábios ou na pele, pausas respiratórias, sonolência intensa ou dificuldade para despertar”, explica.

Também exigem atenção, situações em que a criança não consegue mamar ou ingerir líquidos, apresenta redução importante da quantidade de urina, boca seca, ausência de lágrimas ao chorar ou piora rápida do estado geral.

Em bebês com menos de 60 dias, a presença de febre deve motivar avaliação em um serviço de saúde. Crianças com cardiopatias, doenças pulmonares ou neurológicas importantes e aquelas com comprometimento da imunidade também necessitam de acompanhamento mais cuidadoso. Mais do que o valor indicado pelo termômetro, é importante observar o estado geral, a respiração, a hidratação e o comportamento da criança.

Febre, tosse e coriza nem sempre exigem emergência

Febre associada a tosse, obstrução nasal, secreção e coriza é comum no inverno. Quando a criança permanece ativa, respira normalmente, consegue ingerir líquidos e não apresenta sinais de gravidade, a orientação é procurar o pediatra, uma unidade básica de saúde ou outro atendimento ambulatorial.

A tosse, isoladamente, também não representa necessidade de atendimento hospitalar, pois funciona como um mecanismo de defesa para a eliminação de secreções. O mesmo vale para episódios de vômito e diarreia quando a criança consegue se hidratar e não apresenta sinais de desidratação.

O uso adequado dos serviços também diminui a exposição desnecessária a outros agentes infecciosos. Em períodos de maior circulação de vírus respiratórios, salas de espera e ambientes hospitalares concentram pessoas com diferentes infecções, o que reforça a importância de reservar a emergência para situações de maior gravidade.

Vacinação e prevenção ajudam a reduzir casos graves

A prevenção tem papel importante durante o inverno. Manter o calendário vacinal atualizado, incluindo a vacinação contra a influenza, contribui para reduzir complicações e hospitalizações por doenças respiratórias.

Dados da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre mostram que, no primeiro semestre de 2026, foram registradas 6.078 hospitalizações por doenças respiratórias e síndromes gripais na Capital. Crianças menores de cinco anos e pessoas com mais de 60 anos responderam por 75,3% dessas internações.

A cobertura contra a influenza, porém, permaneceu abaixo da meta de 90% estabelecida para os públicos prioritários. Em 25/05, apenas 25,98% das crianças entre seis meses e menores de seis anos haviam recebido a vacina em Porto Alegre, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.

“Nosso inverno costuma ser bastante rigoroso e algumas medidas simples fazem muita diferença. Manter o calendário de vacinação atualizado é uma delas. Ainda observamos uma procura baixa pela vacina contra a gripe, e a imunização é fundamental para reduzir o risco de formas graves das doenças”, acrescenta o médico.

Outra medida de proteção é a prevenção contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), uma das principais causas de bronquiolite em bebês. Entre as estratégias disponíveis estão a vacinação de gestantes pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e outras formas de imunização indicadas conforme a faixa etária e as condições clínicas.

Medidas simples também ajudam a reduzir a transmissão de vírus, como lavar as mãos com frequência, manter os ambientes ventilados e evitar o contato de bebês com pessoas que apresentam sintomas respiratórios. Em famílias com crianças maiores que frequentam escola ou creche, a higienização das mãos antes do contato com o bebê também é recomendada.

A SPRS reforça que febre não significa automaticamente necessidade de antibióticos, exames laboratoriais ou radiografias. A avaliação médica é que deve definir a necessidade de investigação complementar ou tratamento específico.

Ao reconhecer os sinais de alerta e procurar o serviço mais adequado para cada situação, as famílias contribuem para um atendimento mais seguro e para o melhor funcionamento das emergências pediátricas.

Redação: Marcelo Matusiak

 

Sobre a Sociedade de Pediatria do RS

A Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul foi fundada em 25 de junho de 1936 com o nome de Sociedade de Pediatria e Puericultura do Rio Grande do Sul pelo Prof. Raul Moreira e um grupo de médicos precursores da formação pediátrica no Estado. A entidade cresceu e se desenvolveu com o espírito de seus idealizadores, que, preocupados com os avanços da área médica e da própria especialidade, uniram esforços na construção de uma entidade que congregasse os colegas que a cada ano se multiplicavam no atendimento específico da população infantil. Atualmente conta com cerca de 1.750 sócios, e se constitui em orgulho para a classe médica brasileira e, em especial, para a família pediátrica.

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