Qualidade do ar interno ganha importância no dia a dia e passa a influenciar bem-estar, rendimento e qualidade de vida
Respirar bem dentro de casa, no trabalho ou em locais públicos nem sempre é algo garantido, e cada vez mais especialistas alertam para a importância da qualidade do ar interno (QAI). Em ambientes fechados, onde passamos grande parte do tempo, o ar pode acumular poluentes, umidade inadequada e até micro-organismos, afetando diretamente a saúde, o conforto e até a capacidade de concentração.
A percepção sobre o tema vem mudando. Se antes a preocupação estava apenas em manter aparelhos de ar-condicionado funcionando, hoje cresce o entendimento de que é preciso cuidar da qualidade do ar de forma contínua, com acompanhamento e atenção permanente. O Brasil, inclusive, já possui normas que tratam dessa manutenção, mas o grande desafio está em sair do básico e adotar uma cultura de prevenção.
O presidente da Associação Sul Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Aquecimento e Ventilação (ASBRAV), Mário Canale, chama atenção para essa mudança de comportamento no setor. “O Brasil já possui um conjunto importante de normas sobre qualidade do ar interno, mas o desafio não está na falta de regras, e sim na forma como elas são aplicadas. Ainda existe uma cultura de fazer apenas o mínimo necessário, quando o ideal é avançar para uma gestão contínua, com monitoramento e análise de dados”, afirma.
Segundo ele, essa evolução passa por entender o ar como um elemento ativo no ambiente. “Hoje já é possível utilizar tecnologia para acompanhar a qualidade do ar em tempo real, identificar problemas antes que eles se agravem e tomar decisões mais rápidas. Isso melhora a saúde das pessoas, aumenta o conforto e ainda contribui para a eficiência dos sistemas”, destaca.
Alguns locais exigem ainda mais atenção. Hospitais, por exemplo, precisam de controle rigoroso para evitar riscos à saúde. Escritórios, escolas e centros comerciais, onde há grande circulação de pessoas, também demandam cuidados constantes, já que o ar pode influenciar diretamente o cansaço, a concentração e até a produtividade. “Quanto maior o número de pessoas e o tempo de permanência, maior deve ser o cuidado com o ar. E em ambientes como hospitais, esse controle é ainda mais crítico, porque está diretamente ligado à segurança dos pacientes”, explica Canale.
Outro ponto destacado é o avanço das soluções inteligentes no setor. Sensores, sistemas automatizados e inteligência artificial já permitem que os equipamentos se ajustem conforme o uso do ambiente, melhorando a ventilação e reduzindo desperdícios de energia. “Estamos vivendo uma mudança importante, em que o sistema deixa de ser apenas reativo e passa a antecipar situações. Isso significa mais eficiência, mais economia e mais qualidade de vida para as pessoas”, completa.
O tema estará entre os destaques do Mercofrio 2026 – 15º Congresso Internacional de Ar Condicionado, Refrigeração, Aquecimento e Ventilação. O evento acontece de 15 a 17 de setembro, no BarraShoppingSul, em Porto Alegre, e reúne profissionais para discutir soluções que conectam saúde, tecnologia e sustentabilidade. Outras informações podem ser obtidas no site Mercofrio 2026 https://mercofrio.com.br/
Redação: Marcelo Matusiak