Evento realizado pela Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul vai até sábado
A prática pediátrica baseada em evidências, os desafios da segurança no exercício profissional e a produção científica estiveram entre os destaques do primeiro dia do Congresso Gaúcho de Atualização em Pediatria 2026. Os temas integraram o espaço “Conversando com o Especialista” no evento realizado pela Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS), de 21 a 23/05, no Centro de Convenções Barra Shopping, em Porto Alegre.
Entre as atividades, a mesa “Puericultura hoje: o que realmente importa, introdução alimentar, pacientes atípicos, dependentes de tecnologia” propôs uma discussão prática sobre puericultura baseada em evidências, com foco em condutas que impactam os desfechos em saúde infantil. A atividade foi moderada por Carolinne Santin Dalri e contou com a participação de Alicia Dorneles Dornelles, Karina Lorenzi Marramarco Mazzucco e Silvana Palmeiro Marcantonio.
Para a palestrante Silvana Palmeiro Marcantonio, a digitalização da infância tem provocado mudanças importantes na saúde mental de crianças e adolescentes. A redução do brincar livre, da convivência presencial e da autonomia nas relações sociais passou a dividir espaço com uma rotina cada vez mais mediada por telas, redes sociais e jogos eletrônicos. Esse novo contexto tem sido associado ao aumento de quadros de ansiedade, alterações de sono, depressão, automutilação, sintomas psicossomáticos e tentativas de suicídio, especialmente entre meninas.
“Nos últimos anos, saímos de uma infância mais marcada pelo brincar, pela autonomia e pelo convívio real para uma infância digitalizada. Isso trouxe impactos importantes, com crianças mais ansiosas, com problemas de sono, depressão, automutilação e tentativas de suicídio. Entre as meninas, o uso mais intenso das redes sociais e a comparação física parecem tornar esse sofrimento ainda mais evidente. A pandemia apenas tornou mais visível um problema que já vinha crescendo e que nós, como pediatras, talvez ainda não estivéssemos percebendo com a dimensão necessária”, ressaltou Silvana Palmeiro Marcantonio.
Outro tema abordado foi a violência contra profissionais da saúde, na atividade “Fui agredido ou assediado no exercício profissional. E agora?”. A discussão tratou da importância de transformar a denúncia em uma atitude concreta, com orientação aos médicos, visibilidade pública aos casos e suporte jurídico aos associados. O tema foi destacado pelo presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (SIMERS), Marcelo Matias.
“Temos um canal específico na nossa página para orientar esse encaminhamento. Também fomos ao Governo do Estado e à Secretaria da Segurança Pública para construir um acordo que coloca a violência contra profissionais da saúde como um problema que precisa ser enfrentado de forma estruturada. Para os nossos sócios, fazemos defesa política, defesa na mídia e entramos com todos os advogados necessários. As penalizações muitas vezes são pequenas, mas o incômodo precisa existir. A pessoa precisa saber que haverá registro na delegacia, processo criminal ou cível, e que agredir um médico pode se tornar perigoso e inútil”, afirmou o presidente do SIMERS, Marcelo Matias.
A apresentação destacou dados de revisão narrativa publicada em 2024 na eClinicalMedicine, indicando que, em alguns estudos, a violência verbal ultrapassa 90%, enquanto a violência física aparece em até 65% das situações, além de subnotificação que pode chegar a 89%. Entre os grupos mais expostos estão profissionais que atuam em emergências, plantões noturnos e trabalhadores mais jovens. O tempo de espera aparece como um dos gatilhos frequentes, associado a fatores como falta de pessoal, superlotação, deficiência estrutural, falhas na comunicação médico-paciente, percepção de erro médico e um contexto social marcado por hostilidade nas redes sociais, na mídia e na polarização política.
A programação também contemplou a produção acadêmica com a atividade “Elaborando um artigo científico”, moderada por Rita de Cássia Silveira e com participação de Renato Soibelmann Procianoy e Magda Lahorgue Nunes. O encontro abordou formas de transformar experiência clínica, pesquisa e conhecimento acumulado em publicações científicas qualificadas.
O Congresso Gaúcho de Atualização em Pediatria segue até sábado (23/05), com atividades científicas voltadas à qualificação profissional, ao networking e ao debate de temas essenciais para a promoção da saúde, do bem-estar e do desenvolvimento de crianças e adolescentes. Mais informações podem ser obtidas no site oficial do evento https://www.gauchopediatria. com.br/home.asp
Redação: Marcelo Matusiak
Sobre a Sociedade de Pediatria do RS
A Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul foi fundada em 25 de junho de 1936 com o nome de Sociedade de Pediatria e Puericultura do Rio Grande do Sul pelo Prof. Raul Moreira e um grupo de médicos precursores da formação pediátrica no Estado. A entidade cresceu e se desenvolveu com o espírito de seus idealizadores, que, preocupados com os avanços da área médica e da própria especialidade, uniram esforços na construção de uma entidade que congregasse os colegas que a cada ano se multiplicavam no atendimento específico da população infantil. Atualmente conta com cerca de 1.750 sócios, e se constitui em orgulho para a classe médica brasileira e, em especial, para a família pediátrica.
A Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul foi fundada em 25 de junho de 1936 com o nome de Sociedade de Pediatria e Puericultura do Rio Grande do Sul pelo Prof. Raul Moreira e um grupo de médicos precursores da formação pediátrica no Estado. A entidade cresceu e se desenvolveu com o espírito de seus idealizadores, que, preocupados com os avanços da área médica e da própria especialidade, uniram esforços na construção de uma entidade que congregasse os colegas que a cada ano se multiplicavam no atendimento específico da população infantil. Atualmente conta com cerca de 1.750 sócios, e se constitui em orgulho para a classe médica brasileira e, em especial, para a família pediátrica.