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Risco Suicida na Adolescência – Reconhecer, Avaliar e Agir

Comitê Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul alerta para a importância de reconhecer sinais de sofrimento psíquico, combater estigmas e garantir cuidado contínuo em rede

O cenário atual da saúde mental na adolescência exige urgência. Dados globais e nacionais evidenciam uma escalada crítica: nos Estados Unidos, as hospitalizações pediátricas por autolesão ou tentativa de suicídio cresceram 163,2% entre 2009 e 2019. No Brasil, o suicídio já figura como a quarta principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, superado apenas por lesões no trânsito, tuberculose e violências interpessoais. Trata-se de um agravo de saúde pública que, se fosse uma doença infecciosa, seria tratado como surto.

Um dos principais obstáculos na linha de frente é a “hebofobia” — o preconceito e a generalização apressada contra o adolescente. Esse viés faz com que o sofrimento psíquico grave seja frequentemente minimizado e rotulado como “próprio da idade”.

Essa minimização ignora a neurobiologia do desenvolvimento adolescente, marcada pela assincronia no amadurecimento cerebral: o sistema límbico (centro das emoções) é altamente reativo, enquanto o córtex pré-frontal (responsável pelo controle de impulsos e planejamento) ainda está em formação.

O acesso precoce e com baixa supervisão às redes sociais tem se apresentado como fator contribuinte nos agravos de saúde mental nessa população.

Para melhorar a qualidade da assistência, mas principalmente os fluxos de acesso no cuidado, é imperativo sistematizar o cuidado através de quatro etapas práticas:

1. (Re)conhecer: Identificar sinais de alerta e quebrar o estigma.
2. Avaliar: Dimensionar o risco de autolesão de forma técnica e objetiva.
3. Apoiar: Acolher o paciente e a família, garantindo que não fiquem desamparados no sistema de saúde.
4. Agir: Implementar um planejamento de segurança imediato.

A intervenção isolada na emergência não é suficiente. O fluxo de cuidado seguro exige referenciamento psiquiátrico imediato e monitoramento contínuo. Independentemente da gravidade do quadro agudo, o acompanhamento com o Pediatra e o Médico de Adolescente (Hebiatra) deve ser mantido, garantindo uma rede de apoio que acolha o paciente de forma integral.

 

Sobre a Sociedade de Pediatria do RS

A Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul foi fundada em 25 de junho de 1936 com o nome de Sociedade de Pediatria e Puericultura do Rio Grande do Sul pelo Prof. Raul Moreira e um grupo de médicos precursores da formação pediátrica no Estado. A entidade cresceu e se desenvolveu com o espírito de seus idealizadores, que, preocupados com os avanços da área médica e da própria especialidade, uniram esforços na construção de uma entidade que congregasse os colegas que a cada ano se multiplicavam no atendimento específico da população infantil. Atualmente conta com cerca de 1.750 sócios, e se constitui em orgulho para a classe médica brasileira e, em especial, para a família pediátrica.

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