Artigo de Opinião: presidente da AMRIGS, Dr. Gerson Junqueira Jr.
A cada eleição, a saúde retorna ao centro do debate público. É natural que candidatos apresentem propostas, estabeleçam prioridades e defendam diferentes caminhos. O problema surge quando programas estruturantes são tratados como marcas de governo, e não como compromissos permanentes da sociedade. Nessa área, a descontinuidade tem consequências graves: interrompe linhas de cuidado, fragiliza equipes, atrasa diagnósticos, amplia filas e compromete a confiança da população.
O Rio Grande do Sul precisa discutir a saúde como política de Estado. Isso significa desenvolver ações capazes de atravessar mandatos, resistir às trocas de gestão e preservar o planejamento técnico diante das mudanças políticas. A Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS), como entidade representativa da classe médica, tem o papel de contribuir para esse diálogo com os Poderes Públicos, gestores e a sociedade, sempre com foco na qualidade assistencial, na valorização profissional e na segurança do paciente.
Alguns temas precisam ocupar posição central. O primeiro é o acesso. Reduzir filas para consultas, exames, cirurgias e atendimentos especializados exige gestão eficiente, financiamento adequado, integração entre Estado e municípios e redes regionais bem organizadas. Não basta anunciar mutirões pontuais. É necessário assegurar um fluxo permanente, regulação transparente e capacidade contínua de resposta.
Outro eixo é a prevenção. Vacinação, vigilância epidemiológica, atenção básica e educação da população evitam agravamentos, internações e mortes. Um sistema que investe somente quando a doença já avançou chega tarde. Campanhas de imunização, rastreamento, controle de enfermidades crônicas e incentivo a hábitos saudáveis devem ser protegidos de instabilidades administrativas.
A saúde mental também precisa receber atenção prioritária. A procura por assistência cresce entre crianças, adolescentes, adultos e idosos, pressionando escolas, famílias, unidades básicas, emergências e hospitais. Enfrentar esse cenário requer uma rede articulada, equipes qualificadas, acesso ao tratamento, acompanhamento contínuo e integração com as áreas de assistência social, educação e segurança pública.
A incorporação da tecnologia também deve ser fomentada, tanto na assistência como na gestão. A telessaúde, como alternativa para minimizar a desigualdade de acesso à assistência médica, deve ser ofertada em regiões com menor oferta de especialistas. Outrossim, a implementação de uma plataforma única interoperável de dados de saúde no SUS, melhorando a continuidade do atendimento do paciente na atenção primária, especializada e hospitalar.
O período eleitoral também deve ser um momento de compromisso. Com esse propósito, a AMRIGS será um espaço para debates com candidatos ao Governo do Estado. O encontro está marcado para o dia 30 de setembro, a partir das 13h15, com transmissão ao vivo pela Rádio Guaíba e pelo canal da AMRIGS no YouTube. A entidade abre suas portas porque entende que a Medicina, a saúde e a vida das pessoas precisam permanecer no centro das decisões públicas.
Governos passam. As necessidades da população permanecem. A maturidade democrática está na capacidade de transformar promessas de campanha em políticas duradouras, sustentadas por evidências, responsabilidade técnica e respeito tanto por quem cuida quanto por quem precisa ser cuidado.
Presidente da AMRIGS
Dr. Gerson Junqueira Jr.
A Associação Médica do Rio Grande do Sul é uma organização sem fins lucrativos voltada para a atualização do conhecimento técnico-científico e para a realização de debates científico-culturais relacionados à saúde, à Medicina e à vida profissional. Desde o momento de sua fundação em 1951, a AMRIGS integra a vida do médico em todas as etapas da profissão, tendo como objetivos:
- Fomentar a ciência e a cultura médica;
- Promover a defesa profissional;
- Fortalecer o associativismo e a representatividade médica;
- Ser influenciadora como entidade protagonista de ações em prol da saúde.