Encontro destacou que protocolos só geram cuidado seguro com equipes capacitadas, integração entre serviços e compromisso com cada vida atendida
Protocolos bem definidos, comunicação entre equipes e cuidado centrado no paciente foram os principais eixos do II Simpósio de Qualidade e Segurança do Paciente do Hospital Sapiranga, realizado nesta quinta-feira (07/05), no auditório da CDL Sapiranga. Com o tema “Entre o processo e o paciente: Como ser a ponte segura?”, o encontro reuniu profissionais da saúde, gestores, equipes assistenciais, equipes multidisciplinares, estudantes e demais interessados em práticas mais seguras e qualificadas.
A diretora-executiva do Hospital Sapiranga, Elita Herrmann, afirmou que o simpósio foi além de uma agenda técnica e expressou o compromisso institucional com processos seguros e cuidado às pessoas. “Protocolos e processos são fundamentais, mas nada disso entrega segurança se não houver pessoas comprometidas por trás, fazendo a diferença. Atrás de cada processo existe uma vida, uma família, o amor da vida de alguém”, destacou.
O diretor técnico da Unimed Encosta da Serra, Helder Fernando Cunha dos Santos, ressaltou a importância da capacitação permanente e da integração entre instituições de saúde. “A qualidade só acontece se estivermos capacitados e buscarmos essa evolução constantemente. É trabalhando juntos que conseguimos melhorar a qualidade e a prestação de serviços”, afirmou.
Eficiência e cuidado no case de Governança Clínica do Hospital Sapiranga
A primeira mesa abordou a organização assistencial nos primeiros pontos de contato do paciente com o hospital. A médica e mestre em Pesquisa Clínica, Dra. Andressa de Conti, coordenadora da Emergência e Internações do Hospital Sapiranga, falou sobre fluxos assistenciais, tomada de decisão em ambientes complexos e a importância de conectar gestão e ponta assistencial.
“Eu vejo que a governança clínica ainda tem muito espaço para ampliar os resultados da nossa emergência, e esse é justamente o propósito desse trabalho: capacitar e aproximar as equipes. O nosso tema fala justamente sobre essa ponte entre o que é planejado em uma sala de diretoria e o profissional que está lá na ponta assistencial. Essa conexão precisa ser firme e efetiva”, pontuou.
A conversa teve mediação da executiva de Relacionamento e Mercado do Hospital Sapiranga, Jordana Sabine Pereira Dresch.
Como a comunicação interdisciplinar garante o sucesso do cuidado transversal
A integração entre equipes assistenciais foi o centro da segunda discussão. O médico Dr. Gabriel Beilfuss Rieth tratou da alta hospitalar como etapa crítica, que exige preparo, comunicação eficiente e alinhamento entre profissionais, pacientes e familiares. “A alta hospitalar não encerra o cuidado, mas transfere uma responsabilidade que precisa ocorrer de forma segura e coordenada”, afirmou.
A fonoaudióloga Fernanda Tormen abordou o impacto da comunicação funcional e da reabilitação hospitalar na transição do cuidado. A assistente social Débora Mallmann Schüler falou sobre suporte às famílias e articulação com a rede socioassistencial. Já a enfermeira Claudia Tapes destacou a integração entre Atenção Primária e hospital, com registros adequados, preparo da rede multiprofissional e participação de pacientes e familiares após a alta.
A enfermeira Gabriela Muniz conduziu o debate entre os participantes da mesa.
Minutos que salvam vidas: a jornada crítica no atendimento ao AVC
O AVC vem crescendo no Brasil e já supera o infarto entre as principais causas de mortalidade no país, segundo atualização da Sociedade Brasileira de AVC (SBAVC) em 16/04/2026. Além do risco de morte, é a principal causa de incapacidade, com impacto direto na vida dos pacientes, na rotina das famílias e nos custos relacionados ao cuidado.
Diante desse cenário, especialistas debateram estratégias para agilizar o diagnóstico e o tratamento. A enfermeira Izabel Muller abordou a atuação assistencial no pronto atendimento e apresentou dados de alerta, como a estimativa de que uma a cada seis pessoas no mundo terá um AVC ao longo da vida.
O neurologista Dr. Diógenes Zan apresentou experiências sobre a organização da linha de cuidado do AVC e o uso da saúde digital. A implantação de um protocolo estruturado representa um avanço estratégico para o Hospital Sapiranga, ao garantir resposta rápida, suporte especializado e integração entre emergência, neurologia e exames de imagem 24 horas por dia.
“No Hospital Sapiranga são 24 horas por dia, sete dias por semana, com neurologista de plantão aguardando a chegada de pacientes com suspeita de AVC. Isso torna o hospital mais protegido e preparado para enfrentar uma das doenças que mais matam e incapacitam pessoas no Brasil”, relatou.
Na sequência, a biomédica Nicole Pertile falou sobre gestão de processos, eficiência operacional e mensuração de desfechos a partir do que realmente importa ao paciente ao longo da jornada de cuidado.
A coordenadora do Núcleo de Qualidade do Hospital Sapiranga, Letícia Marques Kovalski, ficou responsável pela mediação da mesa.
Stewardship em foco: o papel de cada profissional na batalha contra a resistência bacteriana
Após o intervalo, o simpósio voltou-se à resistência bacteriana e aos desafios do uso racional de antimicrobianos. O pneumologista Dr. Leonardo Signori apresentou dados sobre pneumonia comunitária no Brasil, responsável por aproximadamente 700 mil internações por ano, conforme o DataSUS.
A infectologista Dra. Fabia Rafaela Corteletti falou sobre o uso racional de antimicrobianos e alertou para a velocidade de avanço da resistência bacteriana. “A resistência bacteriana está andando muito mais rápido do que a indústria farmacêutica, então se não houver uma mudança de rumos teremos dificuldades no manejo de doenças infecciosas”, afirmou.
Segundo a médica, o uso racional de antimicrobianos, baseado em conceitos de PK/PD e na compreensão dos mecanismos de resistência, contribui para melhores decisões terapêuticas, preserva opções de tratamento e fortalece práticas responsáveis em defesa da saúde pública.
A mesa foi mediada pela coordenadora de Farmácia do Hospital Sapiranga, Kelly Concari Posser.
Segurança baseada em evidências científicas e a arte de cuidar
A discussão seguinte reuniu profissionais da área materno-infantil para debater parto seguro, cuidado humanizado e singularidade de cada nascimento. A médica ginecologista e obstetra Dra. Larissa Gaspar abordou segurança obstétrica e tomada de decisão clínica. A enfermeira obstétrica Laís Beck apresentou a evolução dos procedimentos de parto para uma prática mais acolhedora, com presença de acompanhantes, respeito ao plano de parto e participação multiprofissional.
“Hoje, o plano de parto da paciente já faz parte da nossa rotina. A mulher pode estar acompanhada, contar com profissionais escolhidos por ela e viver uma experiência mais acolhedora. Esse olhar da equipe e das residentes nos ajuda a identificar melhorias e a proporcionar não apenas um ambiente, mas uma ambiência de cuidado no momento do parto”, afirmou a enfermeira Laís.
Em sua manifestação, a palestrante Maristela Peixoto, professora, doutora em Diversidade Cultural e Inclusão Social e enfermeira destacou que o cuidado obstétrico seguro também passa pelo respeito à gestante, pela escuta qualificada e pela valorização da vontade da paciente durante todo o processo. Ela reforçou que a tomada de decisão deve considerar o protagonismo da mulher, sempre alinhada aos protocolos assistenciais e aos critérios de segurança. Já a enfermeira Natabe Weiand apresentou aspectos ligados ao cuidado neonatal e à segurança assistencial. Por fim, a doula Patrícia Cavallin Luz falou sobre suporte emocional, escuta e individualização da experiência do nascimento.
A enfermeira Roberta Atz, referência do relacionamento com a rede prestadora da Unimed Encosta da Serra, conduziu a mediação.
Valores que protegem: o alinhamento cultural na prevenção de riscos psicossociais
Encerrando a programação, o professor Sidnei Dias conduziu uma reflexão sobre cultura organizacional, desenvolvimento humano e saúde emocional nas instituições. Ele apontou a capacitação das equipes como fator essencial para ampliar a eficiência, compartilhar conhecimento e evitar que processos fiquem concentrados em poucas pessoas.
“Quando mais pessoas sabem fazer aquilo que antes estava concentrado em uma única pessoa, o trabalho ganha em eficiência. Isso permite dividir melhor as tarefas, fortalecer a equipe e abrir espaço para que cada profissional possa se dedicar a outras atividades estratégicas, sem deixar que demandas básicas fiquem paradas”, destacou.
A professora Talita Oliveira discorreu sobre o Protocolo DMEL, Disciplina, Movimento, Energia e Longevidade. Com base em sua experiência em gestão de pessoas e desenvolvimento de equipes, ela mostrou como esses pilares contribuem para uma rotina mais equilibrada, sustentável e produtiva, especialmente entre lideranças.
O último bloco foi mediado pela psicóloga Tainá Muniz, profissional com MBA em Gestão Estratégica de Pessoas, certificação em Business Partner em RH e mais de cinco anos de experiência em desenvolvimento humano e gestão de pessoas.
Ao final, a coordenadora de Qualidade e Segurança do Paciente do Hospital Sapiranga, Letícia Marques Kovalski, encerrou o simpósio destacando que o encontro também foi uma oportunidade para apresentar à comunidade o modo como a instituição compreende o cuidado. A fala reforçou a dedicação das equipes e o reconhecimento às parcerias que contribuíram para a realização da programação.
“Eu espero que vocês tenham conseguido sentir o nosso jeito de ser do Hospital Sapiranga. A gente faz tudo com muito carinho e muita dedicação, porque sabe que está sempre cuidando do amor da vida de alguém. Quero aproveitar este momento para agradecer aos parceiros e patrocinadores, que no ano passado conheceram o nosso primeiro simpósio de qualidade, apostaram no nosso trabalho, confiaram na nossa proposta e, desde então, têm nos apoiado. Esse reconhecimento nos motiva a seguir construindo uma assistência cada vez mais segura, humana e qualificada”, afirmou a coordenadora de Qualidade e Segurança do Paciente do Hospital Sapiranga, Letícia Marques Kovalski.
A realização foi do Hospital Sapiranga, com patrocínio de Unimed Encosta da Serra, SIR Radiologia, Cresol, Sispack Medical e Cirúrgica Fernandes. A iniciativa integra o movimento institucional de fortalecimento das práticas de qualidade, inovação e desenvolvimento humano previstas no planejamento estratégico Hospital Sapiranga 2030.
Para mais informações sobre o Hospital Sapiranga entre em contato pelo telefone (51) 3599-8100 ou acesse www.hospitalsapiranga.com.br.
Redação: Marcelo Matusiak
Sobre o Hospital Sapiranga
O Hospital Sapiranga é uma entidade privada, de caráter filantrópico, sendo referência para convênios e privados para toda a região, e para o Sistema Único de Saúde (SUS) aos municípios de Sapiranga, Araricá e Nova Hartz.
Propósito: Cuidar das pessoas, aqui toda vida importa.
Missão: Cuidar das pessoas com excelência, promovendo saúde e bem-estar.
Valores: Comprometimento | Respeito | Humanização | Responsabilidade | Transparência | Inovação