Data de conscientização reforça a importância de hábitos saudáveis desde os primeiros anos de vida
O ganho de peso na infância precisa ser acompanhado com atenção, especialmente quando ocorre de forma rápida, vem acompanhado de mudanças no comportamento ou passa a dificultar atividades do dia a dia. A Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS) chama a atenção das famílias para a prevenção da obesidade infantil, tema que ganhou destaque com o Dia da Conscientização contra a Obesidade Infantil, celebrado no último dia 3 de junho. A data busca ampliar o debate sobre uma condição que cresce no Brasil e pode impactar a saúde física, emocional e social das crianças.
Dados do Ministério da Saúde indicam que 13,2% das crianças de 5 a 9 anos acompanhadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) apresentam obesidade. Já levantamento divulgado pela Agência Brasil, com base no Atlas Mundial da Obesidade 2026, aponta que 16,5 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos vivem com sobrepeso ou obesidade no país.
Segundo o endocrinologista pediátrico e associado da SPRS, Dr. Guilherme Guaragna Filho, alguns sinais devem acender o alerta para pais e responsáveis. Entre eles estão o ganho de peso mais acentuado do que a média dos últimos anos, roupas ficando apertadas em pouco tempo, dificuldade para realizar atividades físicas e aumento visível de peso.
“O uso excessivo de telas também pode interferir no equilíbrio da rotina infantil. Além de diminuir o tempo destinado a brincadeiras, esportes e atividades ao ar livre, o hábito pode prejudicar o sono. Com pior qualidade de descanso, a criança tende a ter menos disposição para se movimentar, criando um ciclo que favorece o sedentarismo”, explica o médico.
Outro ponto de atenção está na alimentação. O consumo frequente de ultraprocessados, comer rápido demais e realizar refeições usando celular, tablet, televisão ou videogame estão entre os erros mais comuns. A SPRS orienta que as refeições sejam momentos de convivência, com atenção ao alimento, variedade nutricional e respeito aos sinais de fome e saciedade da criança.
A abordagem da obesidade infantil deve ser feita com cuidado, sem culpa, punição ou exposição. O foco deve estar na saúde, no bem-estar e na construção de hábitos possíveis para cada família. Mudanças bruscas, comentários sobre aparência ou comparações podem gerar sofrimento e dificultar a adesão ao tratamento.
“A condução deve ser feita com acolhimento e empatia. As mudanças de estilo de vida precisam ser adaptadas à realidade da família e da criança, sempre com acompanhamento profissional e sem transformar o peso em motivo de vergonha ou cobrança excessiva”, acrescenta Dr. Guilherme Guaragna Filho.
Brincadeiras, caminhadas, esportes, dança e atividades em família podem ajudar a criança a criar uma relação mais saudável com o próprio corpo e com o movimento.
Redação: Marcelo Matusiak
A Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul foi fundada em 25 de junho de 1936 com o nome de Sociedade de Pediatria e Puericultura do Rio Grande do Sul pelo Prof. Raul Moreira e um grupo de médicos precursores da formação pediátrica no Estado. A entidade cresceu e se desenvolveu com o espírito de seus idealizadores, que, preocupados com os avanços da área médica e da própria especialidade, uniram esforços na construção de uma entidade que congregasse os colegas que a cada ano se multiplicavam no atendimento específico da população infantil. Atualmente conta com cerca de 1.750 sócios, e se constitui em orgulho para a classe médica brasileira e, em especial, para a família pediátrica.